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Vencedor como campeão de
vendas da SAMs, vencedor como o presidente mais vezes
campeão na presidência do ABC, Judas
Tadeu até agora soma
sete títulos estaduais, não escondendo que está lutando
pelo oitavo agora em 2009. Este, o respeitável currículo
do desportista Judas Tadeu Gurgel, um título que
dificilmente será batido nos próximos 30 anos. Com o
futebol a cada dia mais nivelado, inclusive registrando-se
uma preocupante ascensão do futebol interiorano,
dificilmente um outro cartola alvinegro conseguirá superar
a Judas Tadeu.
Generalizando a quase eternização desse polêmico cartola,
até mesmo no futebol brasileiro um outro terá feito tanto
por um clube. Em termos locais, nem mesmo no velho rival
América FC vai se encontrar adversário. O atual presidente
do clube rubro, José Vasconcelos da Rocha, agora na sua
quarta passagem pela presidência tem um bom somatório de
títulos ganhos, mas sem igualar os sete do dirigente
abecedista, com o detalhe de ser a de JT uma administração
continuada. Ainda no América, o prof. Jussier Santos
chegou na 10 anos de mandato, mas em passagens alternadas.
Interessante observar, no recorde de Judas Tadeu é que ele
chegou à presidência do clube devido a rebeldia do então
presidente alvinegro, na época deputado estadual Leonardo
Arruda. Antes de ser vice de Leonardo, atuou na
vice-presidência do futebol, ao que consta, levado por
Severo Câmara, em 1997. Inconformado com a alienação de
parte do terreno da Vila Olímpica, achando que o assunto
estava influindo na campanha vitoriosa do time no Estadual
de 1998, a três rodadas do final, resolveu renunciar à
presidência. Judas Tadeu, que era seu vice, assumiu o c
argo, de imediato. Na verdade, era seu projeto futuro.
Onde está até hoje. Favorável à alienação, JT não deixou
haver solução de continuidade na parceria ABC-Ecocil.
Hoje, o clube é dono de um super valorizado complexo
esportivo. Valeu a persistência. Tadeu teria
confidenciado a amigos que, ao passar a presidência do
ABC, promete aposentar-se como cartola.
Na história do futebol brasileiro há cartolas que se
eternizaram nos seus respectivos clubes, sendo os casos
mais visíveis os de Athié Jorge Curi, no Santos FC, de
1941 a 75, o cartola com 95 anos, de Eurico Miranda e seus
20 anos no Vasco, dos paulistas Mustafá Contursi no
Palmeiras, Alberto Dualib e Vicente Matheus no
Corinthians, e mais recentemente, Marcelo Teixeira, no
Santos, chegando a nove anos ininterruptos, até receber um
chega pra lá do Conselho. Agora, quer voltar.
No próprio ABC, nos primórdios do clube, ser presidente
era muito menos complicado, já que a temível folha de
pagamento só passou a preocupar depois de uma maior
profissionalização do elenco. Nenhum jogador ganhava mais
do que um simples salário, e as concentrações só
aconteciam às vésperas de um ABC x América. Até mesmo os
medicamentos utilizados pelos jogadores eram adquiridos
pelo próprio clube junto a médicos amigos. As amostras
grátis funcionavam, de verdade.
Por isso, crises financeiras pra valer só com o advento do
Machadão, quando ABC e América, e até o próprio Alecrim FC
começaram a trazer jogadores do Rio e São Paulo. Além dos
salários bem acima dos jogadores feitos pelo clube ou de
estados vizinhos, outros itens como despesas com passagens
aéreas – até então raras, oneravam as finanças do clube.
Tornaram-se necessárias instalações mais confortáveis,
alimentação balanceada, inclusive com nutricionista, em
vez de um, dois médicos, assistente do treinador, pelo
menos dois preparadores físicos, maior vigilância da
Previdência Social e Receita Federal, cirurgias, locomoção
para os treinamentos e viagens mais constantes. As folhas
de ABC e América chegaram às alturas. Tudo isso concorreu
para que, ocupar a presidência de um clube totalmente
profissionalizado se transformasse numa missão para
dirigente “duro na queda”. Quem não resistiu, renunciou.
Daí, a dificuldade na hora de uma sucessão. Apesar disso,
Judas Tadeu nem cogita de jogar a toalha antes de
completar o período para o qual foi eleito. O título de
centralizador não lhe aborrece mais, porque tem como
responder aqueles que o acusam |