22/03/2009
Tribuna do Norte

Everaldo Lopes
 
Repórter e Pesquisador

Foto: Rodrigo Sena

 

ÍNDICE

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Judas Tadeu já é recordista na presidência do ABC

SUCESSÃO - Judas Tadeu parece ainda ter um longo caminho no Alvinegro

 

Vencedor como campeão de vendas da SAMs,  vencedor como o presidente mais vezes campeão na presidência do ABC, Judas Foto: Rodrigo SenaTadeu até agora soma sete títulos estaduais, não escondendo que está lutando pelo oitavo agora em 2009. Este, o respeitável currículo do desportista Judas Tadeu Gurgel, um título que dificilmente será batido nos próximos 30 anos. Com o futebol a cada dia mais nivelado, inclusive registrando-se uma preocupante ascensão do futebol interiorano, dificilmente um outro cartola alvinegro conseguirá superar a Judas Tadeu.

Generalizando a quase eternização desse polêmico cartola, até mesmo no futebol brasileiro um outro terá feito tanto por um clube. Em termos locais, nem mesmo no  velho rival América FC vai se encontrar adversário. O atual presidente do clube rubro, José Vasconcelos da Rocha, agora na sua quarta passagem pela presidência tem um bom somatório de títulos ganhos, mas sem igualar os sete do dirigente abecedista, com o detalhe de ser a de JT uma administração continuada. Ainda no América, o prof. Jussier Santos chegou na 10 anos de mandato, mas em passagens alternadas.

Interessante observar, no recorde de Judas Tadeu é que ele chegou à presidência do clube devido a rebeldia do então presidente alvinegro, na época deputado estadual Leonardo Arruda. Antes de ser vice de Leonardo, atuou na vice-presidência do futebol, ao que consta, levado por Severo Câmara, em 1997. Inconformado com a alienação de parte do terreno da Vila Olímpica, achando que o assunto estava influindo na campanha vitoriosa do time no Estadual de 1998, a três rodadas do final,  resolveu renunciar à presidência. Judas Tadeu, que era seu vice, assumiu o c argo, de imediato. Na verdade, era seu projeto futuro. Onde está até hoje. Favorável à alienação, JT não deixou haver solução de continuidade na parceria ABC-Ecocil. Hoje, o clube é dono de um super valorizado complexo esportivo. Valeu a persistência.  Tadeu teria confidenciado a amigos que, ao passar a presidência do ABC, promete aposentar-se como cartola.

Na história do futebol brasileiro há cartolas que se eternizaram nos seus respectivos clubes, sendo os casos  mais visíveis os de Athié Jorge Curi, no Santos FC, de 1941 a 75, o cartola com 95 anos, de Eurico Miranda e seus 20 anos no Vasco, dos paulistas Mustafá Contursi no Palmeiras, Alberto Dualib e Vicente Matheus no  Corinthians, e mais recentemente, Marcelo Teixeira, no Santos, chegando a nove anos ininterruptos, até receber um chega pra lá do Conselho. Agora, quer voltar.

No próprio ABC, nos primórdios do clube, ser presidente era muito menos complicado, já que a temível folha de pagamento só passou a preocupar depois de uma maior profissionalização do elenco. Nenhum jogador ganhava mais do que um simples salário, e as concentrações só aconteciam às vésperas de um ABC x América. Até mesmo os medicamentos utilizados pelos jogadores eram adquiridos pelo próprio clube junto a médicos amigos. As amostras grátis funcionavam, de verdade.

Por isso, crises financeiras pra valer só com o advento do Machadão, quando ABC e América, e até o próprio Alecrim FC começaram a trazer jogadores do Rio e São Paulo. Além dos salários bem acima dos jogadores feitos pelo clube ou de estados vizinhos, outros itens como despesas com passagens aéreas – até então raras, oneravam as finanças do clube. Tornaram-se necessárias instalações mais confortáveis, alimentação balanceada, inclusive com nutricionista, em vez de um, dois médicos, assistente do treinador, pelo menos dois preparadores físicos, maior vigilância da Previdência Social e Receita Federal, cirurgias, locomoção para os treinamentos e viagens mais constantes. As folhas de ABC e América chegaram às alturas. Tudo isso concorreu para que, ocupar a presidência de um clube totalmente profissionalizado se transformasse numa missão para dirigente “duro na queda”. Quem não resistiu, renunciou. Daí, a dificuldade na hora de uma sucessão. Apesar disso, Judas Tadeu nem cogita de jogar a toalha antes de completar o período para o qual foi eleito. O título de centralizador não lhe aborrece  mais, porque tem como responder aqueles que o acusam